De volta ao que sempre fomos

O Brasil volta a ser o que sempre foi, uma melancólica república das bananas, governada por uma elite burra, corrupta e arrogante.

Luis Ruffato

Em novembro de 2009, Beirute foi a capital mundial do livro, título concedido anualmente pela Unesco. Em comemoração, foram convidados 15 escritores de oito países para debater as perspectivas da literatura. No dia da chegada, participamos de um jantar oficial oferecido pela universidade Saint Joseph, a segunda mais importante do Líbano. À entrada, o reitor recebia a todos com uma simpática mas rápida saudação. Quando chegou minha vez, no entanto, ele, ao ouvir o nome Brasil, segurou caloroso minha mão e passou a perguntar sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com curiosidade e admiração.

Um ano antes, Lula havia desafiado a crise provocada pelo estouro da bolha imobiliária norte-americana ao afirmar taxativamente que o que era tsunami nos Estados Unidos seria sentido no máximo como marolinha no Brasil. Assim, se em 2008 o Produto Interno Bruto cresceu 5%, no ano seguinte —reflexo do “tsunami” norte-americano— conheceria uma forte retração (0,2% negativo), dando um enorme salto em 2010 (7,6%), último ano do segundo mandato de Lula. Vivíamos então a euforia de ser a sétima maior economia do planeta —todos os olhos voltavam-se para nós. Por conta disso, Lula não encontrou grandes dificuldades para eleger como sucessora sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome estranho aos quadros históricos do partido —ela filiou-se em 2001 e na posse do primeiro mandato de Lula, janeiro de 2003, já era titular da pasta de Minas e Energia.

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Até quando vai o embargo dos EUA a Cuba?

 — publicado 21/07/2015 04h45
Reabertura das embaixadas em Washington e Havana reaviva relações entre os dois países e traz esperança de que embargo comercial termine. Setores como agroindústria e turismo pressionam por abertura.

Por Astrid Prange

A “revolução do dólar” irrompeu em Cuba. Cada vez mais empresas americanas investem na ilha caribenha socialista, mesmo que o embargo comercial dos EUA a Cuba, em vigor há 55 anos, ainda proíba as relações econômicas entre os dois países.

Recentemente, a empresa americana IDT firmou um acordo com a estatal de telecomunicações Etecsa para o estabelecimento de ligações telefônicas diretas entre Cuba e os Estados Unidos. A plataforma de aluguel de filmes online Netflix também passou a oferecer seus serviços em Cuba. E cartões de crédito emitidos por bancos americanos já estão sendo aceitos como forma de pagamento.

Até mesmo o turismo passa por um boom. O site de aluguéis pela internet Airbnb quer expandir sua oferta e já registrou mais de mil residências em Cuba. A partir de maio de 2016, navios de cruzeiro da companhia americana Carnival vão poder ancorar em Cuba.

Oficialmente, esses passageiros participarão de um programa “de intercâmbio cultural, artístico, religioso e humanitário”. Isso porque, por enquanto, turistas ainda são proibidos de viajar normalmente para Cuba por causa do embargo.

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“UPP não acabou com o tráfico, só trouxe falsa sensação de segurança”

A polícia divide espaço com traficantes no Complexo do Alemão, acusam moradores.

“Na favela não tem traficante, tem varejista. Os traficantes estão na Presidente Vargas, onde fica a sede da Polícia Militar do Rio de Janeiro.” Essa foi a resposta de Leonardo Souza, integrante do coletivo Ocupa Alemão, a um representante da PM, durante a audiência pública de abril em que a políciapedia por mais apoio dos moradores à guerra contra o narcotráfico.

Fundado em 2012, dois anos após a implantação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora no complexo de favelas, o Ocupa Alemão defende a desmilitarização dos morros cariocas. O coletivo justifica seu posicionamento com base nos casos deabusos policiais na comunidade, de invasões a festas de aniversário a casos extremos como a morte de Mário Lucas, de 18 anos, assassinado por um policial dentro de sua casa, ou o menino Eduardo Ferreira, de 10 anos, morto com um tiro por um agente público, segundo a perícia, na porta de sua residência.

Exposto a um cotidiano de violência frequente, Souza é cético em relação à presença da polícia nas favelas. “A UPP nunca tirou o tráfico de drogas, só trouxe uma falsa sensação de segurança para a classe média.”

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A arte de escrever para idiotas

Por Marcia Tiburi e Rubens Casara

Em nossa cultura intelectual e jornalística surge uma nova forma retórica. Trata-se da arte de escrever para idiotas que, entre nós, tem feito muito sucesso. Pensávamos ter atingido o fundo do poço em termos de produção de idiotices para idiotas, mas proliferam subformas, subgêneros e subautores que sugerem a criação de um nova ciência.

Estamos fazendo piada, mas quando se trata de pensar na forma assumida atualmente pela “voz da razão” temos que parar de rir e começar a pensar.

Artigos ruins e reacionários fazem parte de jornais e revistas desde sempre, mas a arte de escrever para idiotas vem se especializando ao longo do tempo e seus artistas passam da posição de retóricos de baixa categoria para príncipes dos meios de comunicação de massa. Atualmente, idiotas de direita tem mais espaço do que idiotas de esquerda na grande mídia. Mas isso não afeta em nada a forma com que se pode escrever para idiotas.

Diga-se, antes de mais nada, que o termo idiota aqui empregado guarda algo de seu velho uso psiquiátrico. Etimologicamente, “idiota” tem relação com aquele que vive fechado em si mesmo. Na psiquiatria, a idiotia era uma patologia gravíssima e que, em termos sociais, podemos dizer que continua sendo.

Uma tipologia psicossocial entra em jogo na história, baseada em dois tipos ideais de idiotas: oidiota de raiz, dentre os quais se destaca a subcategoria do idiota representante do conhecimento paranoico, e o neo-idiota, com destaque para o “idiota” mercenário que lucra com a arte de escrever para idiotas.

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Jovens negros são mais vulneráveis à violência no Brasil

por Agência Brasil — publicado 07/05/2015 10h44, última modificação 07/05/2015 10h45

Estudo revela que jovens negros são duas vezes e meia mais vítimas de homicídio do que o jovens brancos. Na Paraíba, proporção chega a 13 vezes.

Dados do relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014 mostram que a população negra entre 12 anos e 29 anos é a principal vítima da violência. O estudo, divulgado nesta quinta-feira 7, mostra que os estados onde o jovem negro corre mais risco de exposição à violência estão na Região Nordeste. Alagoas tem o maior coeficiente do Índice de Vulnerabilidade Juvenil (IVJ) – Violência e Desigualdade Racial.

Em seguida, Paraíba, Pernambuco e Ceará são classificados como tendo muito alta vulnerabilidade, de acordo com o levantamento feito pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ), pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o Ministério da Justiça e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil. O indicador inédito incorpora na dimensão da violência a desigualdade racial e mostra que a cor da pele e o risco de exposição à violência estão relacionados. O índice será usado pelo Plano Juventude Viva, que tem o objetivo de reduzir a vulnerabilidade de jovens negros, para orientar políticas públicas.

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