Uma campanha super size contra o McDonald’s

por Miguel Martins — publicado 21/08/2015 11h13

Liderados pelo influente sindicato norte-americano SEIU, atos por melhores condições de trabalho na rede ganham força no Brasil em meio a relatos de violações nas unidades da empresa.

Repetir o protocolo “Bem-vindo ao McDonald’s, o que deseja comer?” era apenas uma das funções do atendente Lucas Marques na unidade da lanchonete multinacional no Shopping Metrô Itaquera.

Segundo o ex-funcionário da rede de fast-food, ao acumular tarefas como treinar novatos e fazer as vezes de gerente, sua jornada de trabalho chegava a 12 horas, embora as quatro horas trabalhadas além do expediente não fossem remuneradas.

Alguns de seus ex-colegas, conta, eram designados para trabalhar em chapas, fritadeiras e tostadeiras sem dispor de proteção adequada contra queimaduras. Segundo Marques, um deles chegou a ficar com as mãos descascadas por manusear diariamente, sem luvas, produtos químicos como o degreaser, um desengordurante tão potente que uma gota da substância deve ser diluída em pelo menos 300 mililitros de água. “ Violações como essas podem ser testemunhadas em qualquer loja do McDonald’s no Brasil”, afirma.

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‘Meu sangue não vale menos’, diz ativista gay sobre proibição à doação de sangue

O goiano Welton Trindade nunca doou sangue. Mas não foi por falta de vontade. Gay assumido, ele vaticina quando questionado sobre por que nunca pisou em um centro de doação: “Vou ser discriminado com hora marcada? Meu sangue não vale menos”.

Trindade é um dos milhares de brasileiros que, por manter relação sexual frequente com outros homens, é impedido de doar sangue por uma regra da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), órgão ligado ao Ministério da Saúde.

“Nunca doei e não vou doar porque não quero passar por esse constrangimento”, admite ele à BBC Brasil.

Leia mais: O que falta para o Brasil doar mais sangue?

O polêmico veto faz parte do conjunto de normas sobre a doação de sangue no Brasil das quais grande parte se espelha nas diretrizes estabelecidas pelos Estados Unidos.

Segundo o Ministério da Saúde, são atualmente proibidos de doar sangue “homens que se relacionaram sexualmente com outros homens nos últimos 12 meses”.

O órgão, que diz reavaliar as regras periodicamente, admitiu à BBC Brasil que vai manter a proibição na próxima revisão. O documento está sendo finalizado e deve ser publicado em breve.

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De volta ao que sempre fomos

O Brasil volta a ser o que sempre foi, uma melancólica república das bananas, governada por uma elite burra, corrupta e arrogante.

Luis Ruffato

Em novembro de 2009, Beirute foi a capital mundial do livro, título concedido anualmente pela Unesco. Em comemoração, foram convidados 15 escritores de oito países para debater as perspectivas da literatura. No dia da chegada, participamos de um jantar oficial oferecido pela universidade Saint Joseph, a segunda mais importante do Líbano. À entrada, o reitor recebia a todos com uma simpática mas rápida saudação. Quando chegou minha vez, no entanto, ele, ao ouvir o nome Brasil, segurou caloroso minha mão e passou a perguntar sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com curiosidade e admiração.

Um ano antes, Lula havia desafiado a crise provocada pelo estouro da bolha imobiliária norte-americana ao afirmar taxativamente que o que era tsunami nos Estados Unidos seria sentido no máximo como marolinha no Brasil. Assim, se em 2008 o Produto Interno Bruto cresceu 5%, no ano seguinte —reflexo do “tsunami” norte-americano— conheceria uma forte retração (0,2% negativo), dando um enorme salto em 2010 (7,6%), último ano do segundo mandato de Lula. Vivíamos então a euforia de ser a sétima maior economia do planeta —todos os olhos voltavam-se para nós. Por conta disso, Lula não encontrou grandes dificuldades para eleger como sucessora sua ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, nome estranho aos quadros históricos do partido —ela filiou-se em 2001 e na posse do primeiro mandato de Lula, janeiro de 2003, já era titular da pasta de Minas e Energia.

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Até quando vai o embargo dos EUA a Cuba?

 — publicado 21/07/2015 04h45
Reabertura das embaixadas em Washington e Havana reaviva relações entre os dois países e traz esperança de que embargo comercial termine. Setores como agroindústria e turismo pressionam por abertura.

Por Astrid Prange

A “revolução do dólar” irrompeu em Cuba. Cada vez mais empresas americanas investem na ilha caribenha socialista, mesmo que o embargo comercial dos EUA a Cuba, em vigor há 55 anos, ainda proíba as relações econômicas entre os dois países.

Recentemente, a empresa americana IDT firmou um acordo com a estatal de telecomunicações Etecsa para o estabelecimento de ligações telefônicas diretas entre Cuba e os Estados Unidos. A plataforma de aluguel de filmes online Netflix também passou a oferecer seus serviços em Cuba. E cartões de crédito emitidos por bancos americanos já estão sendo aceitos como forma de pagamento.

Até mesmo o turismo passa por um boom. O site de aluguéis pela internet Airbnb quer expandir sua oferta e já registrou mais de mil residências em Cuba. A partir de maio de 2016, navios de cruzeiro da companhia americana Carnival vão poder ancorar em Cuba.

Oficialmente, esses passageiros participarão de um programa “de intercâmbio cultural, artístico, religioso e humanitário”. Isso porque, por enquanto, turistas ainda são proibidos de viajar normalmente para Cuba por causa do embargo.

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“UPP não acabou com o tráfico, só trouxe falsa sensação de segurança”

A polícia divide espaço com traficantes no Complexo do Alemão, acusam moradores.

“Na favela não tem traficante, tem varejista. Os traficantes estão na Presidente Vargas, onde fica a sede da Polícia Militar do Rio de Janeiro.” Essa foi a resposta de Leonardo Souza, integrante do coletivo Ocupa Alemão, a um representante da PM, durante a audiência pública de abril em que a políciapedia por mais apoio dos moradores à guerra contra o narcotráfico.

Fundado em 2012, dois anos após a implantação da primeira Unidade de Polícia Pacificadora no complexo de favelas, o Ocupa Alemão defende a desmilitarização dos morros cariocas. O coletivo justifica seu posicionamento com base nos casos deabusos policiais na comunidade, de invasões a festas de aniversário a casos extremos como a morte de Mário Lucas, de 18 anos, assassinado por um policial dentro de sua casa, ou o menino Eduardo Ferreira, de 10 anos, morto com um tiro por um agente público, segundo a perícia, na porta de sua residência.

Exposto a um cotidiano de violência frequente, Souza é cético em relação à presença da polícia nas favelas. “A UPP nunca tirou o tráfico de drogas, só trouxe uma falsa sensação de segurança para a classe média.”

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