“A medalha Fields não deve ser foco do País”

O brasileiro vencedor do prêmio equivalente ao Nobel afirma que o País não deve pensar na honraria como “torneio” mas, sim, na expansão da pesquisa.

Por Cinthia Rodrigues

O primeiro vencedor de uma medalha Fields do Hemisfério Sul, o brasileiro Artur Ávila, de 35 anos, voltou ao trabalho no Instituto Nacional de Matemática Aplicada (Impa), no Rio de Janeiro, esta semana. A premiação, comparável ao Nobel, reconhece, a cada quatro anos, os matemáticos de até 40 anos cujas contribuições tenham sido significativas para a matemática. Falando do Rio de Janeiro por telefone com Carta na Escola, ele ressaltou a importância do Impa para seu feito.

O instituto é responsável pela Olimpíada Brasileira de Matemática, campeonato que o atraiu para a área quando tinha 13 anos. Também é o único centro brasileiro em que jovens podem fazer pós-graduação antes da faculdade. Ávila terminou o doutorado com 22 anos. Depois, passou a ter dois cargos de pesquisador: um no próprio Impa e outro em Paris, no Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França. Focado em seu trabalho, ele demonstra manter distância de temas que possam distraí-lo, mas está disposto a colaborar com quem planeja o uso de sua premiação para engajar mais pessoas com a matemática. Só não concorda que a Fields passe a ser uma meta para o País: “Os objetivos são muito duros de dizer, são mais estruturais”. Segundo o pesquisador, o objetivo agora é avançar em outros centros de pesquisa e melhorar a educação em outros níveis: “A gente produz matemática de qualidade em certas áreas, mas não temos todas”.

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Pesquisa põe Brasil em topo de ranking de violência contra professores

Uma pesquisa global feita com mais de 100 mil professores e diretores de escola do segundo ciclo do ensino fundamental e do ensino médio (alunos de 11 a 16 anos) põe o Brasil no topo de um ranking de violência em escolas.

Na enquete da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), 12,5% dos professores ouvidos no Brasil disseram ser vítimas de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana.

Trata-se do índice mais alto entre os 34 países pesquisados – a média entre eles é de 3,4%. Depois do Brasil, vem a Estônia, com 11%, e a Austrália com 9,7%. Na Coreia do Sul, na Malásia e na Romênia, o índice é zero.

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O mito da democracia racial no Brasil

Racismo

Enquanto os efeitos colaterais do racismos institucional aumentam, práticas que transgridem leis e violam direitos humanos parecem não causar indignação.

É falso afirmar que o Brasil não é um país racista. Viver nesta afirmação não se trata somente de “tapar o Sol com a peneira”, mas de continuar permitindo um quadro social que favorece uma população de elite e branca, ou, pelo menos, de pessoas que se identificam com isso.

Não é necessário nem citar dados para concluir que o racismo está estampado em nossa bandeira: basta ver a situação dos negros a revelar que o racismo é institucional e estruturante da nossa sociedade. A partir disso, não podemos usar uma pontualidade como fato principal. Apesar de gravíssima, a atitude da torcedora do Grêmio, que foi flagrada pelas câmeras de tevê chamando o jogador Aranha, goleiro do Santos, de macaco, que deve ser responsabilizada, nada mais é do que um efeito colateral.

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População brasileira passa dos 200 milhões

Segundo dados do IBGE, somos 202.768.562 de habitantes. Quase 50 milhões vivem em capitais, a mais populosa delas é São Paulo

O Brasil tem uma população de 202.768.562 de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), publicados nesta quina-feira 28 no Diário Oficial da União. O estado mais populoso, São Paulo, tem 44,03 milhões de habitantes, o que representa 21,7% do total do País. Já no estado menos populoso, Roraima, vivem 496,9 mil pessoas, que representa 0,2% do Brasil.

Os dados do IBGE são estimativas de população no dia 1º de julho de 2014. Além de São Paulo, cinco estados têm mais de 10 milhões de habitantes: Minas Gerais (20,73 milhões), Rio de Janeiro (16,46 milhões), Bahia (15,13 milhões), Rio Grande do Sul (11,21 milhões) e Paraná (11,08 milhões). Apenas dois estados têm menos de 1 milhão de habitantes, além de Roraima: Amapá (750,9 mil) e Acre (790,1 mil).

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Movimento negro mostra força em marchas contra violência policial

Protestos que reuniram 50 mil pessoas em várias capitais reiteraram visão de que há um genocídio da população negra. Em São Paulo, três mil participaram de ato na Avenida Paulista e cobraram soluções.

“O racismo é internacional. A gente quer mudar o mundo. Enquanto o homem negro e a mulher negra não alcançar a sua condição humana, ninguém será livre. Então, pelo fim do racismo: Segunda Marcha Internacional contra o Genocídio do Povo Negro. Porque são várias formas de nos matar. Há várias formas de resistir também”, quem discursa no microfone ligado ao carro de som é Beatriz Lourenço 22 anos, moradora do Aricanduva, zona leste de São Paulo, e integrante com coletivo Levante Popular da Juventude.

 

Na sexta-feira (22), diversos coletivos do movimento negro e de direitos humanos ocuparam o vão livre do Masp, tomaram duas faixas da Avenida Paulista e caminharam até o Teatro Municipal para evidenciar, em um dos estados mais conservadores do Brasil, o continuo genocídio da população pobre e negra. Segundo a Polícia Militar, cerca de 3 mil pessoas participaram do ato. Em todo o país, foram 50 mil pessoas, segundo cálculo da agência de notícias AfroPress, que contabilizou manifestações expressivas também em Salvador, Rio de Janeiro, Brasília, Vitória, Belo Horizonte, Porto Alegre e Manaus.

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