Karl Marx e o fim do Estado

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Uma outra maneira pela qual é possível pensarmos na abolição do estado é pela perspectiva teórica marxista. em uma pequena entrevista, o professor Alvaro Bianchi, integrante do departamento de ciências Políticas da unicamp e especialista no tema, buscou esclarecer as concepções marxistas sobre o Estado.

Como Marx compreende os estados?
No Manifesto Comunista Karl Marx e Friedrich Engels definiram o governo moderno como o comitê executivo dos negócios comuns a toda a burguesia. essa definição pode ser interpretada de um modo instrumental, segundo o qual o estado é apenas um aparelho da classe dominante. em seus estudos histórico-políticos, entretanto, Marx deixou clara a sua perspectiva relacional: o estado moderno é ele próprio resultado e participante do conflito entre capital e trabalho.

Para Marx, os estados seriam necessariamente superados?
A política tem como característica a dominação de uma parte da sociedade por outra. enquanto houver dominação de classe haverá política e esta assumirá uma forma estatal. Mas, se o comunismo é o fim das classes e da luta entre elas, então ele é também o fim da política e do estado como forma de dominação. segundo Marx e Engels, com o comunismo, o poder público perde seu caráter político, ou seja, estatal.

Na visão marxista, qual seria a alternativa aos estados nacionais superados?
A associação de homens e mulheres livremente é a alternativa. É importante notar que Marx e Engels não falam no fim do poder público e sim no fim do poder político, ou seja, daquela forma de poder que tem por objetivo garantir a dominação de uma classe por outra.

Como a sociologia marxista atual interpreta a existência dos estados nacionais? ainda se tem a mesma concepção de Marx?
A teoria política marxista avançou muito desde a morte de Marx. Lenin, na década de 1910, teve um papel muito importante na reconstrução da teoria marxiana do estado, resgatando a importância dos textos de Marx referentes à comuna de Paris. Neste autor, fica clara a perspectiva de destruição do estado capitalista e as novas formas que um estado de transição deveria adotar. A partir do final dos anos de 1960, uma nova onda de estudos marxistas sobre o estado ganhou corpo, procurando compreender a permanência da dominação capitalista. tais estudos procuraram esclarecer alguns temas, como o porquê do estado nacional não se apresentar como instrumento de dominação de uma classe por outra, mas sim como o estado de todos; além da investigação sobre a compatibilidade entre capitalismo e intervenção estatal na economia e a investigação da relação entre a burguesia e a elite do poder.

 

 Revista sociologia

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